o professor dizer que em certo dia, foi perguntado a ele "quantas notas" ele conseguia tocar
em sua guitarra por segundo. O mesmo parou, pensou, e respondeu: "Uma". Caímos no riso
mas fiquei com aquilo na cabeça.
Em meus devaneios antes de dormir, questionei o que leva o indivíduo a fazer esse tipo
de pergunta. Seria uma arma em punho para devastar um exército? Seria a impressionante
destreza na sua improvisação baseada na quantidade de notas em 1 segundo? seria uma forma
de impressionar as tietes musicais? Resposta: Esse cara não tem remédio que cure.
Nas minhas andanças, na minha fase de testes e experimentações musicais, onde queria achar
o sentido para minhas notas contrabaixisticas, encontrei um saxofonista, que vou omitir
o nome por questões éticas, que atribuia seus improvisos "jazisticos" imitando os animais.
Ao ouvir seus improvisos, me veio a cabeça um peru fazendo glugluglugluglu com o saxofone
barítono em punhos, pois o improviso do meliante era igualzinho sem tirar nem pôr(Risos)
Será o jazz um despejo de balde com notas frias em nossos ouvidos?
Será uma manifestação descompromissada com a coerência harmonica do compositor?
Será uma arrogância do espirito vaidoso para olhar dentro de si e dizer: sou Jazista?
OU uma justificativa para minha preguiça ou desculpa para não querer conhecer as lindas
e elaboradas harmonias e saber realmente o que fazer com elas?
Parece impossível mas conheço vários que pensem desta forma.
Não estou de forma alguma desmerecendo a maravilha que coltrane mostrou ao mundo, como
Giant Steps e muitos outros, mas existe alguns que colocam cada nota no seu devido lugar
como se encaixassem pedras disformes em lacunas disformes perfeitamente.
Hoje estava ouvindo Dexter Gordon, que pra mim, é sem dúvida um dos maiores saxofonista de todos
os tempos, a música Don´t Explain de Billie Holiday. Uma aula de bom gosto, com frases bem construidas,
timbre, dinâmica e uma sutileza sem igual. Quem assistiu o filme Round Midnight, com o magistral papel como Dale
Turner, com certeza não esquece o que representa a sua forma de tocar.
Em fim, o Jazz é uma manifestação artístico-musical que se originou nos EUA por volta de 1900 e contagiou ao mundo
por sua forma sincopada, poliritmica e cheia de improvisação ( coerente). Não é a quantidade de notas que se dá
em uma música que faz o bom músico ou a boa música, e sim o que ela toca dentro do nosso espirito sedento de toques
sutis que nos inspire a algo..
Por Nilson A. Silva
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